Entre os dias 15 e 17 de maio, aconteceu nas instalações do Seminário Teológico Batista Independente de Campinas, SP, sob o tema “Sou Batista Independente e estou ligado” o II Fórum Jovem CIBI/FEPAS, com a participação de cerca de 80 jovens. Com a programação variada e intensa, os dias do evento foram marcados pela reflexão e o debate de temas atuais como Democracia e Cidadania, Direitos Humanos e Meio Ambiente. Também contou com a música engajada do Ministério Fé e Obras, nos brindando com suas composições comprometidas com Evangelho Integral.
Nesses dias fomos agraciados por Deus com um excelente alimento intelectual de conscientização social e cristã, com boa comida preparada pelos voluntários da ABESE e, como não poderia faltar, com ministrações da palavra Deus, em especial, no sábado pela manhã a palavra do coordenador da FEPAS e vice-presidente da CIBI, pastor Edinho. Foi um tempo rico para adquirir novos conhecimentos, para refletir sobre nosso papel como jovens cristãos na sociedade e de comunhão e edificação espiritual. Segue um breve resumo do evento.
Ao falar sobre os fundamentos da democracia, Raquel de Araújo Neves, assistente social da FEPAS e professora do STBI Campinas, deu o tom do debate para o II Fórum Jovem afirmando que “os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos, têm o dever de participar no sistema político que, por seu lado, protege os seus direitos e as suas liberdades”. Sob o título Democracia: cidadania em ação, nos fez pensar sobre nossa responsabilidade como cidadãos comprometidos em participar dos processos democráticos na sociedade, na busca de construirmos uma sociedade mais fraterna, justa e solidária. Para a professora Raquel, ser cidadão significa participar “da cidade e da sociedade, servindo e sendo servido, ou seja, ter direitos a desfrutar e deveres a cumprir”.
Sob o tema “Os direitos da criança são Direitos Humanos”, o palestrante Alexandre Carlos Gonçalves, ex-aluno do STBI Campinas e supervisor do Claves Brasil, nos introduziu a um debate sobre os direitos da criança e do adolescente no Brasil. Citando o artigo primeiro da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. São dotados de razão e de consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de frater-nidade”, ele nos informa sobre as relações assimétricas de poder, da indiferença e da intolerância em relação às crianças em nosso país. De acordo com os dados apresentados, no Brasil há 21 milhões de crianças que vivem em lares com renda igual ou menor a um salário mínimo; que 3 milhões de crianças entre 5 e 14 anos trabalham e entre os 10 e 16 anos esse número atinge quase 6 milhões e, o mais alarmante é que 18 mil crianças são vítimas de agressões físicas diariamente.
Diante desses índices negativos e pessimistas fomos questionados como podemos conter o avanço da violência contra a criança e o adolescente? Alexandre lança algumas luzes que nos ajudam a pensar na solução, como o fortalecimento de uma educação em Direitos Humanos; por campanhas conscientizadoras; combate ostensivo ao crime organizado e, especialmente, instituindo uma cultura da paz. Esse é com certeza um dos maiores desafios para a Igreja de Cristo nesta geração.
O último tema do evento foi o Meio Ambiente, apresentado por Marcos Custódio, químico e ambientalista da organização A Rocha Brasil. Ele apresenta o tema a partir de uma perspectiva Bíblica, sobre qual é o lugar e o valor de toda a criação: “A terra é do Senhor e como nós a temos tratado?”. Apresenta um diagnóstico da situação do planeta Terra, fala sobre a escassez dos recursos naturais e da má utilização dos mesmos, do abuso capitalista dos recursos naturais para alcançar maior rentabilidade econômica, etc. Ele nos desafia a iniciarmos com pequenos gestos no dia-a-dia, atitudes que possam reverter o processo de degradação do Meio Ambiente e auxiliar na preservação, partindo do princípio de que toda a terra é do Senhor e que devemos zelar por nossa Casa Comum. Devemos fazer bom uso da água potável, da energia elétrica, realizar consumo consciente de produtos que não agridem o Meio Ambiente, etc. Com objetivo de sermos bons mordomos de Cristo e preservarmos a nossa Casa Comum, devemos reciclar idéias, atitudes (cf. Romanos 12.1-2), como também, reciclar o lixo doméstico, consumir com moderação e zelar pela preservação do planeta em todos os aspectos.
Vale ressaltar que todo o evento se desenvolveu dinamicamente. Após a apresentação de cada tema, fomos distribuídos em grupos pequenos para discutir as possibilidades de intervenção positiva em nossas cidades, bairros e igrejas. Acredito que essa proposta dinamizou o trabalho em equipe, onde fomentaram muitas idéias acerca de como nos tornarmos cidadãos do Reino de Deus mais comprometidos com essas questões. Para começar, eu fiquei ligado e estou reciclando minhas idéias e, também, reciclando o lixo que produzo na minha casa. E você, está ligado?
Prof. Marciano Kappaun, STBI – Campinas e coordenador do Projeto Identidade e Memória da CIBI

